Indústria Conserveira

Os primeiros processos de conservação do peixe foram: congelação pelo frio; a salga; a secagem e a fumagem. Mais tarde, desenvolveram-se outros processos de conservação, tais como: por azeite; vinagre; álcool e açúcar. No entanto, apesar destes processos prolongarem a duração do peixe, não conservavam o tempo suficiente.

No século XIX Peter Durand aperfeiçoou a técnica de Appert, substituindo os frascos de vidro por recipientes em folha-de-flandres. Esta técnica tem o nome de Appert porque em 1809 o francês Nicolas Appert tentou criar a comida enlatada a pedido do governo de Napoleão Bonaparte.

Em 1896 existiam 76 fábricas de conserva de sardinha em Portugal. O nosso país foi pioneiro na indústria de conservas de peixe a nível mundial. Vila Real de Santo António a par de Olhão, Setúbal, e Peniche têm grandes tradições na indústria conserveira.

A indústria conserveira em Vila Real de Santo António surgiu após a fixação de italianos na vila. Até esse momento, as técnicas utilizadas eram primitivas e a sardinha e o atum eram exportados do Algarve para outras zonas estivados em sal.

No início do século XX  existiu uma progressiva expansão da indústria em Vila Real de Santo António, em 1903 existiam oito fábricas, os donos destas eram maioritariamente de nacionalidade italiana. A par desta indústria desenvolveram-se outras actividades, tais como a litografia, o fabrico de chaves, a carpintaria, a salga de peixe e a preparação de óleo.

O processo de fabrico consistia nas seguintes etapas: o atum entrava na fábrica, era esquartejado, tirava-se a espinha dorsal, depois era metido em tinas para ficar a sangrar, sendo posteriormente cozido e enlatado.  

Era um trabalho incerto, sazonal e nocturno.

A modernização do equipamento em Vila Real de Santo António foi tardia quando comparada com o resto da Europa.

Entre 1943 e 1953 Vila Real de Santo António registou o maior número de fábricas, chegando a ter 21 fábricas. Na década de 40, era o atum que fomentava a produção, em 1943 os valores ultrapassavam várias centenas de toneladas, não apenas em atum, mas também em sardinha.  Vila Real de Santo António nesta década era o centro mais importante relativamente à produção e à exportação de atum.

Na década de 70 começou o declínio, a maior parte das fábricas encerrou as portas, e as que ficaram acabaram por fechar as portas. Em 2001 fechou a última fábrica que existia em Vila Real de Santo António, a Comalpe do grupo Cofaco.

Fonte:

Indústria Conserveira: memórias da terra e do Mar. Disponível em: http://jornadasdomar.marinha.pt/PT/trabalhos/Documents/2004/453-Industria%20Conserveira.pdf

 

As fotografias foram tiradas na antiga fábrica Peninsular, não se sabe a data em que foram tiradas, porque estas pertenciam a José Parra, já falecido.

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Comments
One Response to “Indústria Conserveira”
  1. Leonel Pedro Cabrita diz:

    Embora algarvio, habito em Lisboa.
    Pretendia visitar uma fábrica de atum em Vila Real de Stº António nos próximos dias.

    Solicitava endereço detalhado para introduzir em GPS.
    Saber se vendem produtos ao público que visita a fábrica.

    Com os meus cumprimentos

    Pedro Cabrita

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