Dâmaso Nascimento uma história de vida

Dâmaso Nascimento começou a trabalhar com 11 anos após ter terminado a 4ª classe. Passou por algumas lojas a ganhar 100 escudos por mês e com 15 anos começou a trabalhar nos serviços municipalizados como canalizador. Aos 24 anos ingressou na fábrica Comalpe como canalizador, no entanto conseguiu assumir a responsabilidade da linha de sardinha passados 2 ou três anos, não se recorda ao certo. Mais tarde, com a entrada de um novo director passou a fazer o controlo de processo de todas as produções e a estender os conhecimentos a outras fabricas do grupo ( Cofisa, J A Pacheco e as fábricas dos Açores).

Após esta evolução em que teve um processo de grande aprendizagem, foi convidado a ser contra-mestre da Comalpe, este convite o aceitou com bastante agrado.

Por divergências com o então director da fábrica, se demitiu. Passado dois meses foi trabalhar para o grupo Pacheco em Olhão como chefe de controlo de processo e  manutenção. Por ironia como o próprio refere, o director da Comalpe foi demitido, e o Dâmaso foi convidado para o cargo de director da Comalpe, desempenhado esta função durante dois anos, após este período foi convidado para director da fábrica Bela Olhão, e como o próprio refere esta história parece uma “novela”. O que era director da Bela Olhão antes do convite era que tinha sido da Comalpe quando o Dâmaso demitiu-se.

Desempenhou funções na Bela Olhão durante sete anos até que decidiram mudar a linha da fábrica, ou seja, começaram a produzir apenas comida para animais.

No desemprego não tinha perspectivas devido ao fim da Indústria conserveira. Resolveu então criar o seu próprio negócio recuperando para a terra, Vila Real de Santo António o que se perdeu nos últimos anos, a transformação do atum para secos e salgados.

Quando ao razão que levou ao fim da indústria, Dâmaso afirma “A Indústria acabou em Vila Real de Santo António creio que foi por vários factores. A determinada altura os industriais das conservas chegaram à conclusão de que as produções em massa trariam mais proveitos para as empresas, e resolveram apostar nas grandes produções, passando ao lado da qualidade, esta terra e as conservas portuguesas sempre foram consideradas as melhores do mundo, nomeadamente as sardinhas. Com Marrocos aqui perto , a mão-de-obra e a matéria prima a menos de metade do valor de custo português, não seria muito difícil aos compradores mudarem de mercado, visto que a qualidade não era diferente. Mas os sindicatos não estão isentos de culpas.”

Dâmaso Nascimento faz parte da Confraria do Atum. Esta foi criada em Setembro de 2008, é uma associação sem fins lucrativos com a sua sede em Vila Real de Santo António e tem como objectivos não só a defesa da gastronomia deste peixe ,como a promoção enquanto espécie piscícola e o conhecimento da sua vertente histórico-cultural ,origem, vida, pesca e produto gastronómico. Dâmaso em relação à Confraria do Atum afirma “A confraria surge numa altura em que é retomada a transformação do atum em Vila Real de Santo António, esta terra tem neste momento apenas as Conservas Dâmaso, e é neste contexto que um grupo de amigos do atum juntaram-se para não deixar morrer uma tradição que é muito nossa.
A confraria pretende dar a conhecer aos forasteiros a gastronomia do atum com pratos tradicionais e receitas inovadoras, mostrar também que do atum não se tira só o bife ou as latas de conserva há muito mais para além disso.O grande objectivo neste momento da confraria é arranjar um espaço para fazer núcleo museológico, estamos a arranjar objectos ligados a esta cultura, assim como um livro de receitas  antigas, aproveito para dizer que estamos receptivos a quem queira doar utensílios antigos.”

As Conservas Dâmaso são para Dâmaso uma realização pessoal e profissional. Para ele é um motivo de orgulho ter-se mantido numa área que está em crise, refere ainda que têm sido uma experiência cheia de dificuldades, que os três primeiros anos foram maus e que só depois houve uma melhora. No entanto mostra-se confiante e com a promessa de que vai tentar sempre melhorar e criar condições para continuar no mercado, e a forma é a inovação. O seu estabelecimento está vocacionado para os secos e os salgados a partir do atum. Nas Conservas Dâmaso pode-se encontrar: muxama, estupeta, sangacho, ovas prensadas, rabinhos, espinheta, anchovas de biqueirão e têm ainda uma gama de produtos como patés de muxama com amêndoas, patê de anchova, patê de bacalhau entre outros.

Dâmaso Nascimento defende ainda que se poderia apostar numa pequena fábrica de conservas, no máximo tendo 35 trabalhadores. Afirma que as políticas estão orientadas para o sector hoteleiro e que esqueceram a Indústria Conserveira, tendo sido este o motor da economia local. Refere que considera importante o sector hoteleiro como é obvio, mas que se poderia ter feito mais pela Indústria Conserveira.

Quanto ao futuro, Dâmaso responde “Para mim é difícil dizer como vai ser Vila Real de Santo António daqui a uns anos, tem tudo a ver com a conjuntura nacional e internacional, vejo com mais interesse os políticos locais e esse pode ser um bom pronuncio. Pode ser que a confraria arraste valores de opinião e que sejam aproveitados para o engrandecimento da nossa terra.”

Quer saber mais sobre as Conservas Dâmaso? Clique

Fontes Consultada:

http://www.uhu.es/vic.investigacion/pdf/ConfrariaDoAtum.pdf
 

 

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